Apocalipse e o desafio dos métodos de interpretação 2/2

clock_work-wallpaper-1280x960Idealismo

Diferentemente das outras correntes de interpretação, o idealismo não encontra no Apocalipse nenhuma ligação com fatos históricos. Para os idealistas, o livro apresenta uma descrição simbólica da luta entre o bem e o mal, que não se aplica a nenhum período histórico. Restariam apenas uma “verdade ética e princípios que se aplicam a crentes em qualquer período da história”.[9] É, portanto, fruto de uma abordagem mais humanista e pós-moderna da Bíblia, centrada no leitor.

Historicismo

Por fim, temos o historicismo. Segundo essa corrente de interpretação, profecias se cumpriram no passado, algumas se cumprem no presente e outras se cumprirão no futuro. LeRoy Edwin Froom o definiu como “o cumprimento progressivo e contínuo da profecia, numa sequência ininterrupta, dos dias de Daniel e o tempo de João, até o segundo advento e o fim do tempo.”[10]

Nos livros apocalípticos, percebe-se que o cumprimento das profecias se dá ao longo da história, culminando no estabelecimento do reino de Deus. Em Daniel, quatro impérios se sucedem, começando por Babilônia (neobabilônico), seguido pela “Grécia” (macedônico), “Medo-Pérsia” e Roma, dando lugar a “reinos” divididos, até que o reino de Deus seja estabelecido (cap. 2 e 7). Entretanto, essas profecias também contemplam fatos que se cumpririam em tempos “mui distantes”, do ponto de vista de Daniel, ou seja, nos “últimos dias” (Dn 8:26; 10:14).

No Apocalipse, a perspectiva do processo histórico é notada na primeira metade do livro (cap. 1-11), em que as três séries (igrejas, selos e trombetas) se estendem dos dias de João à volta de Jesus. Seguindo o princípio do paralelismo de Daniel, em que os quatro metais da estátua do capítulo 2 correspondem aos quatro animais do capítulo 7, essas três séries apontam para a ação divina sobre a igreja e seus antagonistas ao longo da história. Não é à toa que cada uma das três séries se encerra, apontando direta ou indiretamente para a volta de Jesus.

A segunda metade do livro (12-22), mais escatológica, apresenta um conflito iniciado no Céu e definido na cruz (Ap 12:4-12) que tem seu desfecho nos últimos dias, com a participação de diferentes agentes divinos e satânicos. Ou seja, demonstra a ação divina no passado com seus reflexos decisivos sobre o presente e o futuro da humanidade.

No historicismo, portanto, as ações divinas, as contrafações de Satanás e as respostas humanas são apresentadas numa linha contínua até a redenção final. Dessa forma, tanto o Apocalipse como Daniel, parecem cumprir seu papel como livros universais, com informações relevantes para todas as eras, desde sua composição.

No historicismo, portanto, o passado não foi esquecido. Pelo contrário, serve para avalizar as profecias ainda não cumpridas. É por esse método que os adventistas estudam o Apocalipse desde meados do século 19 e foram fortalecidos pela compreensão de que o mundo iria de mal a pior, enquanto a cultura enxergava um futuro brilhante na chamada belle époque. É graças a esse sólido método de interpretação atestado por Jesus, pelos autores bíblicos, escritores antigos e pelos reformadores que os adventistas identificam as profecias sobre a apostasia cristã, o golpe “mortal” sobre o papado e seu ressurgimento, a dominância de uma superpotência global e a disseminação do espiritismo. Isso não significa que os adventistas sejam melhores do que outros estudiosos da Bíblia, mas que somente um estudo consciencioso, guiado pelo Espírito Santo e fundamentado em sólidos princípios de interpretação pode levar a uma compreensão mais harmoniosa e plena de Daniel e do Apocalipse.

Diogo Cavalcanti

[9] Stefanovic, p. 12.
[10] E. Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers . Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association , 1950, vol. 1, p. 22, 23. Em: Hans K. LaRondelle, “The heart of historicism”, Ministry Magazine, setembro de 2005. Disponível em: ministrymagazine.org/archive/2005/09/the-heart-of-historicism

Fonte biblia.com.br…

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